BUSINESS | 3 MINUTOS

“Remote Skills”: o que preciso para o recrutamento do contexto atual?

Escrito por Sandra Matos
Head Of Operations @ SIBS Processos
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Mulher com sono no escritorio

O tema de eleição deste mês tem sido o Plano de Retoma, e todas as organizações se organizam e preparam, não para um “regresso à normalidade”, mas sim para um novo contexto. As novas regras e orientações são novidade para todos, à luz da segurança da informação que temos, da experiência que obtivemos mas com criatividade e responsabilidade para enfrentar tantos cenários desconhecidos. Surgem desafios, não só de otimização interna, mas também de reforço de competências que implicam uma nova abordagem de recrutamento, convertido num processo virtual, que pode ter tanto de ensaio para quem o cria, como de aterrador a quem se candidata.

Perante a novidade, a nossa tendência é olhar para o passado e procurar analogias e experiências similares, não sendo por isso de estranhar que, durante o mês de março, o livro de Saramago “Ensaio sobre a Cegueira” se tenha tornado um fenómeno e chegado ao top dos livros mais vendidos (online) em Itália. Até na minha experiência, tem sido raro o webinar a que assisto em que este livro não é referido como curiosidade.

Será mesmo que Saramago nos pode inspirar a investir nas nossas skills, e a evidenciá-las neste novo contexto de recrutamento? Será que as competências que as empresas procuram neste contexto de Home Office são assim tão distintas das anteriores,

Será que as competências que as empresas procuram neste contexto de Home Office são assim tão distintas das anteriores?

ou apenas a relevância de determinadas características assumiram maior destaque?

Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo.

A confiança que depositamos num colaborador assenta na sua capacidade de organização e entrega, o que num regime de gestão remota assume ainda uma importância maior. Evidenciar a forma como planeia as tarefas, a disciplina com que as cumpre e de que forma evita as distrações são um ótimo ponto de partida. As empresas têm um plano de onboarding para recém-chegados e esperam que o candidato tenha o mindset para o cumprir de forma sistemática e organizada.

O difícil não é viver com as pessoas, o difícil é compreendê-las.

“Não só em Contact Centers a Comunicação é um fator-chave, qualquer tarefa inserida numa equipa exige o contato e empatia com Clientes, Fornecedores ou Colegas. Num contexto em que toda a empresa, e cada indivíduo, enfrentam desafios, um candidato que comunica de forma objetiva, assertiva e estruturada revela a facilidade com que o processo de formação e integração se vai realizar. Desde a carta de motivação ao tipo de questões que se coloca no processo de recrutamento, a forma e o rigor desta comunicação pode ser determinante para o sucesso.

Nem a juventude sabe o que pode, nem a velhice pode o que sabe.

E como é que vamos ensinar e aprender nesta nova realidade? Nenhuma organização tem processos de formação “à prova de bala”, contudo a colaboração do candidato e a forma como se disponibiliza a ingressar nesta aventura motiva a empresa a querer fazer mais e melhor. Revelar competências colaborativas e exemplos de projetos anteriores em que se relacionou com pessoas em geografias distantes pode criar um bom impacto e indiciar que, mesmo perante imprevistos, o candidato está disposto a colaborar, a aprender e a contribuir.

  • Responsabilidade de quê?
  • A responsabilidade de ter olhos quando os outros perderam.

A autonomia em Home Office é primordial: cumprir objetivos, seguir métodos e processos internos, gerir prioridades e pedir orientação de forma sistematizada. Nem sempre é fácil para quem acaba de ingressar numa nova tarefa, mas a forma como explora as dificuldades e que caminho adota para encontrar a solução revelam o esforço de controlo e energia para um novo candidato. E nesta avaliação, “menos é mais”!

Das habilidades que o mundo sabe, essa ainda é a que faz melhor: dar voltas.

A Auto-motivação complementa a autonomia. A proatividade e iniciativa, não só nas atividades recorrentes mas também nas oportunidades de melhoria, assumem uma importância enorme. Procurar exemplos de histórias de superação e inter-ajuda, pessoais ou profissionais, são um ótimo indício que o candidato está motivado para integrar uma nova realidade e endereçar os desafios de forma positiva!

…parecia que tínhamos chegado ao fim da estrada e afinal era apenas uma curva a abrir para outra paisagem e novas curiosidades”

Numa realidade que é uma novidade para ambas as partes, a flexibilidade ajuda a contornar obstáculos e a encontrar soluções.

Numa realidade que é uma novidade para ambas as partes, a flexibilidade ajuda a contornar obstáculos e a encontrar soluções. Um candidato que está sempre do lado do problema, e nunca da solução, representa um desgaste ainda maior num contexto em constante adaptação. A forma como endereça imprevistos e traz sugestões de melhoria tornam o caminho de construção de novas realidades mais fácil! Mesmo no contexto atual, evidenciar a forma como se adaptou ao confinamento social e como manteve atividades pessoais importantes ajuda a compreender a forma com que vai lidar com o processo de integração na empresa.

Vivemos de facto tempos incríveis de mudança, que nos obrigam a reinventar mas também a preservar o que fazíamos de melhor. O equilíbrio entre esta flexibilidade e excelência será o mais difícil, como organizações e indivíduos, mas também uma ótima oportunidade de criar uma nova realidade!

Nota:
*as frases foram retiradas de obras de José Saramago

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