BUSINESS | 4 MINUTOS

O chefe assim-assim já não chega.

Escrito por Manuel Alçada
Diretor Executivo @ Happy Work
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Mulher com sono no escritorio

Desde que o COVID-19 chegou a Portugal, rapidamente os chefes em todas as organizações foram sobrecarregados com tarefas com que antes não tinham que se preocupar: os processos estavam, melhor ou pior, definidos e a funcionar. Agora, tudo é novo e recaem sobre o chefe muitas responsabilidades novas e inesperadas.

E, no entanto, por mais solicitações novas que lhe surjam, o papel principal do chefe continua a ser o de fazer com que a sua equipa faça o melhor possível com os recursos que tem.

Desde Março, o papel dos líderes é ainda mais importante. E é ainda mais difícil.

E cada um dos elementos da equipa está também perante desafios novos, muitos não assumidos e pouco claros, mas que implicam sempre a necessidade de ter orientação e clareza por parte da sua chefia. Desde Março, o papel dos líderes é ainda mais importante. E é ainda mais difícil.

Pode perguntar àquele trabalhador exemplar que era bom com qualquer chefe, e que agora não consegue funcionar no que sobra da mesa da sala de jantar partilhada com os filhos a ter aulas online. Antes ia respondendo aos inúmeros pedidos desconexos do chefe sem grande dificuldade, mas agora simplesmente não dá conta do seu trabalho nem do que lhe vai aparecendo, enquanto se preocupa com o descarrilar dos miúdos na escola.

Ou ao colega deste, igualmente responsável, e que só agora percebeu a importância de ter um chefe que seja compreensivo, agora que cuida de um familiar de um grupo de risco e se sente ansioso e desapoiado.

Pode perguntar também ao trabalhador da linha da frente, que tem que lidar com o público todos os dias, e tem um chefe sem o mínimo de envolvimento nos momentos mais difíceis. Antes nem pensava muito nisso, até era melhor porque ninguém o chateava, mas agora o peso da responsabilidade é muito maior.

Muitos chefes assim-assim até conseguiam passar despercebidos em tempos “normais”. Podiam não ser brilhantes, mas iam cumprindo o seu papel razoavelmente, pelo menos em tudo o que não fosse gerir pessoas. Se a economia estivesse a andar, a equipa até tivesse um bom ambiente de trabalho, a Empresa fosse decente, um chefe podia passar pelos pingos da chuva simplesmente deixando a equipa fazer o seu trabalho e ficando no seu canto a responder aos emails que lhe iam chegando. A equipa até podia não ter grande consideração por este chefe, mas preferia-o ao do turno da manhã que provocava um mau ambiente ou até ao ultra-exigente que punha o turno da noite a trabalhar pelos outros todos.

Mas esses tempos acabaram. Tempos desafiantes revelam os verdadeiros líderes. E desmascaram os que disfarçavam bem.
Agora, o chefe assim-assim já não chega.

a principal responsabilidade do chefe não é fazer relatórios com gráficos bonitos

Porque a principal responsabilidade do chefe não é agora – nem nunca foi – fazer relatórios com gráficos bonitos ou responder a reclamações. A principal responsabilidade é, agora mais do que nunca, saber gerir a sua equipa.

Se está a ler este texto e é chefe, não desista já por achar que não é o Cristiano Ronaldo da gestão de pessoas.
A sua equipa não precisa de um guru que vai para a capa de uma revista de gestão, levanta pavilhões e que cai em desgraça pouco depois. Precisa de um ser humano que se conheça a si próprio, saiba ouvir e esteja disponível para aprender.
(ok, admito, é um bocado cliché, mas é mesmo verdade!)

Então o que pode fazer?
Bem,

Alguns exemplos que deixo aqui e que podem ajudar:

1. Para manter a sua equipa alinhada, mantenha-a informada na medida do possível. Informação que exista sobre o futuro da Empresa, mesmo quando é menos positiva, deve ser comunicada. É preferível saberem por si do que saberem pelos corredores virtuais da Empresa, que estarão mais ativos e criativos do que nunca.

2. Contacte regularmente com os elementos da sua equipa, e não só através do email. O email ainda tem um papel fundamental na gestão da informação. Mas é péssimo na criação de espírito de grupo ou para ouvir as necessidades da equipa e ainda consegue provocar inúmeros mal-entendidos. Se o usa o mail para a comunicação que se quer mais humana, então mais vale contratarem um robot que faça o seu lugar. Chat, videochamadas, telefonemas, até redes sociais, preservado o espaço pessoal do colaborador, são formas de comunicação que não substituem o contacto presencial, mas ajudam definitivamente a fazer a sua equipa sentir-se mais apoiada.

3. Faça reuniões regulares de equipa, mesmo que em grupos pequenos, para manter o espírito de grupo e entreajuda que mais do que nunca são necessários.

4. Seja compreensivo em relação a necessidades específicas de cada elemento da equipa – não vale a pena insistir num modelo rígido de horários, por exemplo, se manifestamente o seu colaborador não conseguir trabalhar em determinados períodos do dia por estar a fazer o almoço dos filhos ou a tratar do pai que precisa de cuidados.

5. Dê feed-back a cada um sobre o seu desempenho. No mínimo, vá transmitindo informação sobre o que tem – os pequenos sucessos (e insucessos) que consegue detetar.

6. Seja um ouvinte ativo. Ser bom ouvinte é uma grande qualidade sempre. Mas agora é necessário sê-lo ativamente. Para questões profissionais e pessoais – os elementos da sua equipa são pessoas, não são só funcionários.

7. Prepare o regresso ao escritório – oiça todos os envolvidos, ajude ao melhor casamento possível entre o que os seus colaboradores desejariam e o que a empresa consegue dar.

Tenha um desconfinamento com segurança.

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